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Nada de mais

A turma que elogia e vê qualidade em produto novo de fast food ou exclusividade e sinceridade em show de banda pop é a galera que paga o meu salário, por isso os respeito.

  • 1 month ago
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Sempre lia as seções de cartas dos leitores nas revistas que costumava acompanhar. E agora eu poderia continuar esse parágrafo contextualizando você do impacto que a internet causou nessa forma de expressão, mas vamos em frente porque, na boa, estamos ligados nesse conversê. 

Mas seguindo, em algum gibi meu da DC lá no início dos 90, havia uma carta indignada de um leitor sobre o então humorista-apresentador do SBT, Jô Soares, ter insinuado em seu programa que o personagem Robin era um entusiasta do manja-rolismo e, deus do céu, prestava serviços íntimos ao seu colega de trabalho, o Homem-Morcego, ui. 

“Quem é ele para chamar o Robin de viado?”, devia ser mais ou menos o tom do texto (que obviamente não me recordo com exatidão).

Agora pensemos no trabalho de um jovem fanboy para mostrar sua raiva contra um crítico ou veículo naqueles tempos: além de redigir a reclamação à mão ou em máquina de escrever – atos que, naturalmente, já exigem reflexão intelectual superior ao atual espancar de teclado - era necessário dirigir-se a uma agência dos correios, pesar a carta, pagar o selo, entrar em fila e, finalmente, despachar a missiva.

De tão desestimulante o trampo, seria mais vantajoso o rapaz refletir sobre o assunto sozinho, racionalizar e entender o contexto do comentário sobre a sexualidade de Robin e, assim, iniciar a compreensão do humor rasteiro de estereótipo, clássico nacional e com o qual, provavelmente, o irritado leitor ainda cruzaria milhares de vezes na vida. 

Mesmo assim, não tiremos o mérito desses obstinados comentaristas das antigas. Eles queriam genuinamente participar, contribuir, amolar o próximo e, ao contrário de hoje, faziam isso com muito mais afinco e preparação.

Antigamente então era melhor? As pessoas refletiam antes de opinar, elaboravam com mais esmero seus comentários, aglutinavam pensamentos consistentes em bem arquitetados e irrelevantes pitacos sobre os mais variados aspectos mundanos? 

Não. O pessoal apenas se expressava menos e, talvez por isso, não achássemos a maioria de nossos amigos e conhecidos tão estúpidos quanto achamos hoje.

                             ai gente preconceito como o próprio nome diz é um pré-conceito

  • 3 months ago
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Uma promessa para 2012

Tentarei evitar usar a frase “vamos pedir às pessoas que enviem vídeos fazendo/respondendo tal coisa” e variações em qualquer circunstância, contexto e situação.

Meu vídeo com medo das visitas.

  • 4 months ago
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Bolsos e alças

Em 2000, duas tias minhas abriram uma empresa de administração de condomínios. Como sobrinho publicitário da família (e recém-formado à época), fui escalado para nomear o empreendimento e criar sua marca. Fiz tudo bonitinho, foi um bom case familiar e pessoal, mas essa introdução é pura exposição do meu ego precisando contar que realizei tais feitos fantásticos.

O mais importante é que ali por 2004, minhas tias encomendaram brindes com a marca da empresa, incluindo umas sacolas de viagem azuis com o logotipo criado por mim estampado na lateral.

Ganhei uma das sacolas e ela está comigo até hoje. Uso sempre em viagens curtas de 4, 5 dias. Tem espaço para umas 8 camisetas bem dobradinhas, umas duas bermudas, o saco de cuecas e, nos dois bolsões das extremidades, vão ainda eletrônicos, documentos e dinheiro de um lado e geralmente um par de tênis extra no outro. Se a viagem é de avião, não preciso despachar nada, se é de carro, ela não ocupa nem 20% do porta-malas de um Ka (saudades).

A marca da Síndica (sacaram? empresa de administração de condomínios, Síndica, heim, heim?) está comigo então há 7 anos de maneira ultrajantemente útil e em momentos que para qualquer pessoa são sempre muito especiais, as viagens.

Certo, podemos questionar a pertinência de uma administradora de condomínios distribuir um brinde como uma sacola de viagem (“pode viajar tranquilo que nós cuidamos da sua casa”?), mas o ponto não é esse, a sacola é apenas um exemplo para formular dois questionamentos: quantos aplicativos de iPhone ou Android patrocinados por marcas são mais úteis que a sacola das minhas tias? E, principalmente, quantos aplicativos criados por marcas nós realmente utilizamos mais de duas ou três vezes? 

De cabeça, só lembro aqui do Nike Plus. A aterradora maioria são joguinhos com mecânica mal copiada de jogos clássicos ou programas que oferecem funções já muito melhor executadas por iniciativas da indústria de tecnologia ou mídia.

Não que toda empresa deva investir em sacolas de viagem e abrir mão de soltar releases na imprensa dizendo o quanto são antenadas e modernas lançando traquitanas para iPhone e iPad, mas um bom exercício antes de investir uma grana na programação de um aplicativo é perguntar se você mesmo - que está criando ou aprovando o bagulho - usaria o negócio. Sem essa de “mas nós não somos o público”, somos sim, temos obrigação de nos colocar no lugar do cara que talvez vá baixar e interagir com o troço. Isso é catatonicamente óbvio, mas instala uma paradinha de empresa aí no seu telefone ou facebook e diga se alguém está praticando isso.

Melhor que o seu aplicativo.

  • 11 months ago
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Grandes intenções

Uma ideia não precisa funcionar para ter sucesso, basta escolher um assunto que não seja dominado pela maioria e pensar em qualquer grande sacada para esse assunto, depois é colocar na embalagem certa e simbora com carreira e salário pras cabeças.

O Wii, uma piada da Nintendo que parecia uma revolução e tudo mais que você já sabe, após alguns dias de uso em um lar se revela uma experiência boba e frustrante para qualquer um que já tenha experimentado um jogo de verdade e até mesmo para quem curte joguinhos mais simples em flash ou no telefone.

Mas nem todos os consumidores que compreenderam o lançamento do Wii adquiriram um e, mesmo entre os que compraram o aparelho, venceu a imagem daquela puta ideia de que movimentar um bastão impreciso e pouco ergonômico em frente à TV era bacana. Se como videogame é uma porcaria, pouco importa, o Wii venceu.

E nos últimos tempos tivemos aí uma leva de investidas em redes sociais na mesma pegada. São aplicativos, ações no twitter, social games e outros badulaques que partem de grandes sacadas, mas que na prática servem apenas para compor o videocase enviado ao prêmio (o que é muito coisa, infelizmente).

Um exemplo foi o Digital Life Sacrifice, aquele bagulho em que celebridades “mataram” seus perfis nas redes para que seus fãs doassem uma grana para uma entidade que cuida de crianças portadoras de HIV na África e Índia. A aposta era que, compadecidos com a causa das crianças e com a falta de seus ídolos na internet, os fãs contribuiriam em massa com a ideia. Quanto mais doassem, mais rápido trariam as celebridades de “volta à vida”. Isso foi em dezembro de 2010 e até agora, junho de 2011, arrecadaram pouco mais de um milhão de dólares, um troco de pão levando em conta o calibre dos envolvidos e o barulho em cima da campanha. Superestimaram demais a importância dessas celebridades na vida do público. 

Já outra cretinice bem espalhada ultimamente, são as campanhas do tipo “a cada tweet seu com a palavra X, nós da empresa Y vamos plantar um pé de jaboticaba na serra do abricó e contribuir com o lar do velhinho supimpa”. Então podemos interpretar corretamente que a empresa Y já possui uma verba para ajudar a galera, mas ela só vai soltar essa grana se você, em seu perfil pessoal, publicar uma mensagem fazendo propaganda social subliminar de boa moça da empresa Y, seja por meio de hashtag, encurtador, link ou diabo, o importante é que está nas suas mãos prover essa ajuda e não na da empresa que, batuta como só ela, está oferecendo uma oportunidade de remissão a você, pecador.

MAS DAÍ, voltemos ao ponto: não importa se nada disso funcionou da maneira esperada. A turma não manja e nem está interessada em sacar as mecânicas e especificidades de cada ambiente em que plantamos essas ideias, é só vender direito e levar o mérito pra sambar, até o cliente gosta desse auê. A opinião do consumidor também não é motivo de preocupação, certamente ele está ocupado interagindo com algo melhor pensado e/ou produzido.

—-

Adaílton não curte aplicativos.

  • 12 months ago
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Terms

A sobrevivência no universo publicitário pode ser determinada pela habilidade do colega em empregar termos em inglês no acting cotidiano da agência.
 
Gerar engadgment, preencher um gap ou buscar endorsement já são bundamolices comuns do dialeto falado em nossos locais de labuta. Para fazer diferença e brilhar na reunião, o jovem profissional deve buscar introduzir termos de sua própria autoria no dicionário da galera descolê.
 
Uma boa estratégia é observar um comportamento social relativamente novo que ainda não tenha sido definido em inglês e tascar nele a alcunha lapidada por você (mas é importante escolher um comportamento limpinho).
 
Não adianta dizer que o pushness level da linha verde do metrô aumentou nos últimos anos devido ao crescimento do número de usuários do serviço porque publicitário descolado está fortemente cagando para o que acontece no transporte público.

Peguemos então histórias mais próximas da turma que não coloca o sapatênis em qualquer lugar, os estabelecimentos comerciais bonitinhos com nomes terminados em “eria”, por exemplo: cupcakerias, brigaderias, salgaderias e afins. Como podemos chamar esse fenômeno?

Namery, naming trendy, cuteness enterprising? Não precisa necessariamente fazer sentido para um anglófono nativo, basta ficar charmoso escrito em helvetica no slide da apresentação (importante que o slide seja passado rapidamente para evitar que o termo ganhe atenção e, de adorno cool da sua personalidade, passe a ser um atestado de que você é panguá).

Sou dono de minhas tendências.

  • 1 year ago
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Pouca zoeira

Imagina quantas mentes brilhantes a TV e os meios de comunicação não perdiam antes da internet? Quer dizer, não sabiam que perdiam, porque hoje continuam perdendo, mas agora ao menos temos conhecimento disso e a oportunidade de assistir esses caras em seus bagulhos on-line.

O humor do trio Gus Lanzetta, Erik Gustavo e Heitor de Paola talvez não atinja multidões, não é universalmente tonto como o dos Felipes Netos que se espalham na rede e, por vir de três moleques criados já sob as referências mais infames que a internet espalhou, também não possui o texto arrogante e muitas vezes afetado que alguns blogueiros de formação jornalística ou publicitária publicam como uma espécie de humor de elite da web brasileira.

Os três cospem conteúdo na cara da sociedade com a velocidade de adolescentes desocupados reclamando sobre como suas vidas são ordinárias, mas ao invés de reproduzir obviedades em clima revolucionário perdedor, o Lektronik exibe uma tosquice elegante muito superior a qualquer bobagem travestida de piada proferida  na TV por facistas de terno preto.

(agora trazendo o assunto para as proximidades do que trato neste espaço) No modelo de operação que domina a publicidade desde muito antes internet, a parte fácil é encontrar caras como o Gus, o Erik e o Heitor na imensidão, encaixar nosso produto em um formato inventado pelos próprios (com ou sem a participação dos mesmos) e colocar pra frente como campanha. 

Já o desafio, e sem dúvida a parte muito mais divertida é, depois de encontrar o maluco e ter o conteúdo dele como referência, chegar junto com o próprio inventor a uma forma original de vender uma marca, mas mantendo a essência da piada que originou o interesse.

Nesse vídeo podemos sacar o que é o Lektronik.
http://youtu.be/JYUqFp47MrM

Podemos observar aqui a melhor introdução de uma matéria de games já realizada em solo nacional.
http://youtu.be/Yjn_oqSn4Kk

Já aqui são 30 minutos de absoluta relevância com a resenha do primeiro game que matou Bin Laden, isso lá em 2002.
http://youtu.be/FPrjMUcwvJ8

  • 1 year ago
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Um papear

O refrigerante Malícia está certo quando diz “Malícia, o mundo é uma louca fantasia” e faz uma campanha mostrando isso, sei lá, com umas minas vestidas de lontra surfando no teto de trens urbanos.
 
E nas redes esse posicionamento chega como um site + blog + twitter + facebook em que Malícia mostra as melhores e mais loucas fantasias do mundo ao amigo internauta, pede que ele compartilhe suas loucas fantasias com os outros visitantes, dê sugestões de novas fantasias e tralalá.

Mas Malícia não entende de louca fantasia, entende de refrigerante, então as dicas da marca carregam aquele clima do amigo desinformado, o chapa que você até curte, mas que não bebe e ainda assim tem a cara de pau de dizer que o Bar do Ferrolho é perfeito pra tomar uma cervejinha, quando você sabe que bom mesmo é o Boteco da Mirtes e que “cervejinha” é expressão de personagem de novela.

Empresas não são amigas, pouca gente quer papo de bar com elas. São cheias de regras e restrições, não sabem conversar muito bem sobre outros assuntos além dos próprios produtos e serviços.

Para um trabalho de conteúdo agradável, ou você segura as amarras internas da marca e consegue jogar no ar umas conversas menos bobas ou parte para uma presença nas redes em que a empresa fala apenas em tom institucional, tirando dúvidas, divulgando novidades, sem afetação ou roupinha descolada dois números abaixo do que costuma vestir. Não é divertido, mas é útil.

Empresa mó jovial.

  • 1 year ago
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About

No meu começo em propaganda, criei um comercial de TV em que um pintinho aparecia de óculos. Na época, a produção colou os pequenos óculos no bico do pinto e ele morreu após a gravação. Este blog é uma homenagem a ele. História completa.

Tamo aí

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